segunda-feira, 3 de abril de 2017

Uma Breve Entrevista com o Erudito Thomas Oden sobre o Marxismo e a Igreja Metodista nos EUA

      



      Apresentamos a parte disponível da entrevista que o site Acton Institute disponibilizou. O erudito em patrística Thomas Oden (falecido em 2016) mostra como deixou o marxismo para se tornar um referência na ortodoxia cristã e sobre como anda a Igreja Metodista Unida, da qual faz parte, em relação à ortodoxia.

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      Na próxima edição de Inverno 2011 [a tradução deste artigo foi feita em 2017] de Religion & Liberty, apresentaremos uma entrevista com Thomas C. Oden. A entrevista centra-se principalmente na importância e sabedoria dos padres da Igreja e sua profunda relevância para a Igreja e para a cultura de hoje. O conteúdo abaixo, no entanto, mergulha na teologia da libertação marxista e na direção da própria denominação de Oden, a Igreja Metodista Unida. Algumas das partes abaixo estarão disponíveis apenas para leitores do PowerBlog.

      Gostaria de acrescentar uma breve nota pessoal sobre Tom Oden também. Seu trabalho e seus escritos foram uma bênção imensa em minha própria vida. Sua pesquisa foi vital para minha própria formação espiritual no seminário e além dele. Tenho muitos amigos e colegas que testemunhariam o mesmo. Eu ainda leio sua teologia sistemática de três volumes como uma devoção. Foi um prazer passar tempo com ele durante esta entrevista e seu coração pastoral é tão grande quanto seu coração acadêmico.

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Thomas C. Oden é um professor aposentado de teologia na Escola Teológica da Universidade Drew em Madison (NJ).  É o autor de trabalhos teológicos numerosos, incluindo a teologia sistemática de três volume:  The Word Life (A Palavra da Vida), Life in Spirit (A Vida no Espírito) e The Living God (O Deus Vivo). Atualmente é diretor do Centro do Cristianismo Africano Antigo na Eastern University, St. Davids, (Pa). Ele é o editor geral do Comentário Cristão Antigo sobre as Escrituras e a antiga série da Doutrina Cristã. Ele palestrou recentemente com Ray Nothstine, editor-chefe da Religion & Liberty.

Religion & Liberty (doravante RS) - Obviamente, a teologia marxista atingiu um pico nos anos 70 e 80 em grande medida. A teologia da libertação é uma construção marxista em declínio? E se sim, por quê?

Thomas Oden (Doravante TO) - A práxis marxista tem sido desde os Gulag de Stalin, o Grande Salto de Mao [Tsé Tung], e a economia e estado policial pobres de Cuba. O Muro de Berlim era intelectualmente o carro-chefe. Mas os teólogos estavam atrasados ​​em reconhecer suas vulnerabilidades. Isso porque eles estavam muito endividados às suposições morais básicas da consciência moderna: narcisismo hedônico, relativismo absoluto e reducionismo naturalista. O rápido declínio das soluções marxistas não foi reconhecido por muitos de seus defensores, especialmente aqueles na classe do conhecimento.

Há uma série de diferentes tipos de teologia da libertação, por isso, se você está perguntando sobre a teologia da libertação feminista ou a teologia da libertação negra, ou mais no sentido global da libertação das nações colonizadas do colonialismo, essas são perguntas diferentes.

Eu tenho uma história pessoal de ser lento para desistir dessas ilusões, mas não tão lento como muitos de meus colegas teológicos, ainda preso em um sonho pseudo-revolucionário. Eu estava muito profundamente na imaginação socialista até cerca de quarenta anos atrás. Li muito de Marx por 20 anos antes da imerecida graça mudar a direção da minha vida.

A visão marxista da história é determinista, um determinismo econômico que imagina que sabe como a história vai se concretizar. Provou ser uma imaginação muito perigosa. Para os cristãos, o desdobramento da história universal é guiado pela providência, mas não negando a escolha humana. Para um marxista, esse desdobramento se deve a um determinismo econômico que coloca classe contra classe. O que você está tentando fazer no marxismo é elevar a consciência do proletariado para que ele se rebele contra seus opressores. Esse modelo básico é facilmente visto analogamente na maioria das formas de teologia da libertação.

O que eu tive que passar foi uma desilusão do meu marxismo. Como isso aconteceu? Aconteceu pelo reconhecimento das imensas injustiças criadas pelo marxismo. Estou falando de milhões de pessoas mortas no Camboja, um quarto da população - uma visão marxista inspirada em salões expatriados pseudo-intelectuais em Paris.

Quando você realmente olha para as conseqüências sociais do marxismo, é extremamente difícil defendê-las. Achei mais difícil e mais difícil defendê-los. A visão marxista da história está em declínio porque é um fracasso histórico. Há alguns pequenos lugares onde ainda se pretende estar no futuro, como na Venezuela, que imita Cuba. Mas olhe para Cuba. Cuba já decidiu que o comunismo não funciona depois de tantos anos? Sessenta tristes anos. Os cubanos estão tentando. Eles estão tentando muito, na verdade, obter a sua economia fora da caixa de um sistema operado pelo Estado.

RS - Você é um metodista e tem sido um erudito metodista durante toda a vida. O que você acha do futuro da Igreja Metodista Unida? Eu penso que muitos evangélicos conservadores ouvem coisas negativas sobre a denominação como sobre ela se relacionar com o liberalismo teológico. Mas quais são alguns aspectos positivos?

TO - Em muitos aspectos estão longe de ser deprimente. Os protestantes liberais [na Igreja Metodista Unida] ainda têm as Escrituras, seu hinário em grande parte está intacto e seus padrões confessionais, que, na minha tradição, são os 25 Artigos de Religião e os Sermões Padrões de Wesley. Ainda temos nossos padrões doutrinários. Eles fazem parte da nossa Constituição. Eles não podem ser facilmente adulterados.

Há, obviamente, muito erro terrível com nossa atual forma liberal burocrática de governança. Nossa pergunta é realmente: O que há para ser aprendido com isso? Agora estou trabalhando em um trabalho de quatro volumes sobre John Wesley. Acho que a resposta-chave é o próprio Wesley. Ser liberal e estar na liderança da nossa igreja é como ser um luterano e não ter lido Lutero, ou ser um evangélico reformado e não ter se preocupado em ler Calvino. Temos muitos metodistas que nem sequer tocaram na grande sabedoria de Wesley. Agora vamos nos amarrar em Wesley com a tradição patrística. Wesley passou a estar em Oxford numa época em que havia um grande avivamento patrístico acontecendo. Isso significa que esses escritos cristãos primitivos estavam sendo avidamente lidos no Lincoln College em Oxford em suas línguas originais. Wesley podia facilmente ler Clemente de Alexandria em grego, ou Cipriano ou Agostinho em latim. Ele trouxe toda essa sabedoria com ele para o reavivamento evangélico do século XVIII. Ele publicou a versão de uma pessoa leiga dos escritores Ante-Nicene.

Penso que a maior parte da tradição metodista e da tradição anglicana de onde ele veio, e também, creio eu, das tradições presbiteriana e luterana, estão experimentando o mesmo tipo de amnésia em relação às suas próprias raízes. Em cada um desses casos, como no caso de Lutero e Calvino e Wesley, todos estes foram muito mais fundamentados nas antigas tradições orientais e ocidentais da Ortodoxia do que na igreja contemporânea. Então eu quero ver metodistas lendo Wesley. Eu também quero vê-los ler os antigos escritores cristãos.

O núcleo do dilema da eclesiologia protestante liberal reside no nosso clero e nos seminários que os geraram. Os leigos, em geral, permaneceram leais à fé uma vez entregue aos santos. Eles vêm e cantam os hinos da igreja e ouvem, às vezes, os maus sermões, às vezes os bons sermões. Mas a fé dos leigos não mudou realmente. É a fé do clero que se tornou fraca, e depois de cinquenta anos de vida dentro do ethos liberal do seminário, eu carrego isso em grande parte para as confusões que ocorreram nos seminários. Mais especificamente, a responsabilidade tem sido falha pelos curadores de seminários. Os benfeitores originais dos seminários ficariam chocados. Falta a responsabilidade dos doadores. Os bispos falharam em sua tarefa principal de serem os guardiões da doutrina cristã. A doutrina que eles concordaram em manter em seus votos de ordenação. Eles criaram um problema que levará muito tempo para ser corrigido.

Nós já temos na Igreja Metodista Unida muitos movimentos ativos e significativos dando resistência à "igreja do que está acontecendo agora". Estou pensando no Movimento Confessante dentro da Igreja Metodista Unida que começou em 1993 e agora tem Mais de 600.000 correspondentes. Não é algo que os bispos ou seminários possam ignorar.


Tradução: Marlon Marques

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

É possível ser perfeito nesta vida? Um breve estudo sobre a doutrina da perfeição cristã

A doutrina da perfeição cristã passou (e ainda passa) por muito preconceito em função da má compreensão de sua etimologia. Normalmente, as pessoas a desprezam imediatamente por considerarem que é impossível ser “perfeito” nesta vida. Antes de explicar a questão etimológica, vale a pena também citar que esta mesma doutrina possui outras nomenclaturas, tais como “inteira santificação” “perfeito amor,” “pureza de coração,” “batismo com, ou enchimento do Espírito Santo,” “plenitude da bênção,” e “santidade cristã.” Contudo, é possível ser perfeito nesta vida? Sei que a pronta resposta é, majoritariamente, que não. Mas, analisaremos nas linhas abaixo algumas questões importantes sobre o tema.
Em primeiro lugar, vale a pena avaliar algumas passagens bíblicas que envolvem o tema “perfeição.” No sermão do monte, Jesus fez a seguinte exortação: “Sede vós, pois, perfeitos (gr. teleios), como é perfeito o vosso Pai celestial” (Mt 5.48). Seria estranho, talvez uma hipocrisia, Jesus cobrar algo de seus seguidores que fosse inatingível nesta vida. Soaria muito estranho. É como se Ele dissesse “seja” mas é “impossível ser.” Em outra ocasião, mais especificamente na oração sacerdotal, Jesus disse: “E eu lhes dei a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um; eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos (teteleiōmenoi) em unidade...” (Jo 17.22,23).
O Apóstolo Paulo também fez uso do assunto “perfeição” em suas epístolas. Aos filipenses, por exemplo, ele declarou que a perfeição é algo exeqüível nesta vida e afirma a existência de pessoas perfeitas, dentre as quais ele estava incluso: “Pelo que todos quantos somos perfeitos (teleioi) tenhamos este sentimento; e, se sentis alguma coisa de modo diverso, Deus também vo-lo revelará” (Fp 3.15). Em outra ocasião, Paulo explica que Cristo deve ser anunciado. Contudo, a mensagem da cruz não consiste apenas no novo nascimento, mas também numa vida frutífera e transformada, de perfeição cristã. Por isso, Paulo alega que é necessário falar de Cristo, “o qual nós anunciamos, admoestando a todo homem, e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito (teleion) em Cristo” (Cl 1.28).
Essa perfeição, entretanto, pode ser perdida caso alguém se apostate de Cristo. Por isso Paulo aborda que Epafras orava pela perseverança dos irmãos: “Saúda-vos Epafras, que é um de vós, servo de Cristo Jesus, e que sempre luta por vós nas suas orações, para que permaneçais perfeitos (teleioi) e plenamente seguros em toda a vontade de Deus” (Cl 4.12). “Perfeição cristã” não é um assunto exclusivo de Jesus ou de Paulo. Tiago também sabe a importância e mostra que as adversidades da vida são pedagógicas, isto é, elas nos aperfeiçoam moldando-nos, a fim de que nosso caráter seja cada vez mais parecido com o de nosso Mestre e Salvador Jesus Cristo: “...sabendo que a aprovação da vossa fé produz a perseverança, e a perseverança tenha a sua obra perfeita (teleion), para que sejais perfeitos (teleioi) e completos, não faltando em coisa alguma” (Tg 1.3,4).
Como se pôde perceber, as palavras gregas dos textos bíblicos supracitados são teleioi, teleion, teleios e teteleiōmenoi. Todas essas palavras vêm de teleios, cujos significados, de acordo com o lexicografista Strong, podem ser: perfeito, completo em todas as suas partes, plenamente desenvolvido, algo relacionado especialmente à completude da integridade do caráter cristão, ou maturidade. Ser perfeito, portanto, não quer dizer exatamente impecável, como vem de imediato em nossas mentes. Essa confusão ocorre, entretanto, em função da diferença etimológica. Pensamos em “perfeito” a partir de sua definição latinizada, oriunda de perfectus, cujo significado é o de 100% em alguma coisa. Obviamente que é impossível ser 100% impecável nesta vida. Contudo, a “perfeição” bíblica traz outros significados, dentre os quais vale destacar, em primeira mão, a ideia de maturidade.[1]
O autor da carta aos hebreus, por exemplo, exorta seus leitores a crescerem na fé. Era vergonhoso que naquela comunidade as pessoas ainda estavam precisando estudar os princípios basilares da fé cristã. Ele deveriam estar estudando e até mesmo ensinando questões mais profundas sobre Cristo e a salvação disponibilizada por Ele. Por isso, o autor da epístola disse: “Ora, qualquer que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança; mas o alimento sólido é para os adultos (teleion), os quais têm, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal” (Hb 5.13,14). O alimento sólido é para os cristãos mais maduros, mas, os crentes hebreus estavam agindo, ainda, como neófitos. Deveriam ensinar, mas tinham de aprender.
Paulo reconhece, ainda, que essa “perfeição” (maturidade) não é estática, isto é, não é algo paralisador. O cristão deve sempre buscar crescer na graça de Deus e amadurecer cada vez mais no relacionamento com Deus, consigo mesmo, com o próximo e com a natureza. Para isso foi que o Senhor instituiu ministros em sua igreja, os Apóstolos (plantadores de igrejas), Profetas (pregadores), Evangelistas, Pastores e Mestres. Esses ministros têm a incumbência de ensinar e incentivarem o povo de Deus a amadurecerem na caminhada cristã, “até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa (teleios) de Cristo” (Ef 4.13 – ARC). A Nova Tradução da Linguagem de Hoje traduziu o mesmo verso da seguinte maneira: “Desse modo todos nós chegaremos a ser um na nossa fé e no nosso conhecimento do Filho de Deus. E assim seremos pessoas maduras (teleios) e alcançaremos a altura espiritual de Cristo” (Ef 4.13 – NTLH).
Desta forma, a “perfeição cristã” possui estágios cronológicos na vida do crente. Ela tem início, meio e fim. O início se dá com a regeneração; o meio ocorre com a santificação; e o fim ocorrerá com a nossa glorificação. Sendo assim, A perfeição requerida na Bíblia, portanto, não tem nada a ver com perfeição divina (que é absoluta), ou com perfeição angelical, adâmica (no sentido antes da Queda), ou de conhecimento.[2] Além do significado ligado a maturidade, as palavras gregas teleioi, teleion, teleios e teteleiōmenoi derivam do radical telos, que significa “finalidade” e é dela que vem a nossa palavra portuguesa teleologia, conforme aponta o teólogo nazareno Thomas Noble.[3]
A “perfeição cristã” bíblica possui, portanto, três aspectos inerentes: um início (ocorrido na regeneração), um processo de maturidade (desenvolvido na santificação) e uma finalidade (alvo e propósito, que podem tanto ocorrer nesta vida como culminará na glorificação). Um exemplo disso pode ser visto na obra supracitada do Dr. Noble: “o jogador de golfe não apenas faz uma jogada perfeita, uma vez que a bola cai no buraco; mesmo enquanto a bola navega maravilhosamente pelo ar, ela é uma jogada ‘perfeita.’ Na verdade, apenas porque ela é uma jogada ‘perfeita,’ do momento em que ele bate na bola, é que ela pousa no buraco em única jogada.”[4] O que faz essa jogada ser “perfeita”? O fato de ela atingir o alvo numa única tacada e consolidar um hole in one?[5] Absolutamente, não! O taco escolhido, as condições climáticas (sol, velocidade do ar, etc), a força deslocada à bola e o movimento parabólico da mesma somam a perfeição da jogada!
Além desse quesito gradual (perfeição não estática), a perfeição cristã também tem a ver com a finalidade. Uma caneta foi criada com a finalidade de escrever. Não importa se usamos uma BIC que custa R$ 2,00 ou se usamos uma Montblanc de R$ 10.000. Não importa também se a caneta está mordida ou se está com o tubo quebrado, contato que escreva. Desta forma, se esta caneta escreve, ela é perfeita, pois está cumprindo com sua finalidade. A questão é que Deus tem finalidades terrenas para os cristãos. Somos chamados para ser “...testemunhas” (At 1.8), para sermos “...conformes à imagem de seu Filho...” (Rm 8.29), para sermos “santos e irrepreensíveis” (Ef 1.4), fomos encarregados de levar a “... palavra da reconciliação” (2 Co 5.19) e até mesmo criados em Cristo Jesus “...para as boas obras..” (Ef 2.10). Enquanto não somos glorificados devemos ser perfeitos anunciando o Evangelho, buscando a santidade de vida e até mesmo nos engajando com as boas obras, a fim de que os ímpios as vejam e glorifiquem ao nosso Pai celestial (Mt 5.16).
Voltando à pergunta inicial deste breve ensaio: “é possível ser perfeito nesta vida”? A resposta bíblica é que sim, é possível! Podemos sair da estaticidade e buscar maior interação com o Deus vivo, a fim de que cresçamos em sua graça e no conhecimento de Sua Palavra. Esse crescimento é sempre contínuo nesta vida e não tem nada a ver com impecabilidade. É um crescimento cujo mérito está na graça de Deus e jamais no esforço humano. É um crescimento que aperfeiçoa nossa vida, beneficia nossos relacionamentos e que, no final das contas, glorifica ao Deus Todo Poderoso. Que possamos ser perfeitos, assim como é perfeito o nosso Pai Celestial!
Soli Deo Gloria


Notas

[1] ODEN, Thomas. John Wesley’s Scriptural Cristianity: a plain exposition of his teaching on Christian doctrine. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1994, p. 314.
[2] WILEY, Orton. Introdução à teologia cristã. Campinas: CNP, 2009, p. 337.
[3] NOBLE, Thomas. Trindade Santa, Povo Santo: a teologia da perfeição cristã. Maceió: Sal Cultural, 2015, p. 34.
[4] Ibid, p. 35
[5] Hole in One é o nome da jogada de golfe na qual o alvo é atingido com uma única tacada.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Teólogos do Movimento de Santidade: Wesley L. Duewel (Igreja Metodista Livre)

      



      Abaixo pode ser lido um texto sobre o dr. Wesley Duewel. Seus livros mais conhecidos no Brasil são A Grande Salvação de Deus e Em Chamas para Deus pela editora Candeia e O Fogo do Avivamento e Toque o Mundo pela Oração pela editora Hagnos.    



      Wesley L. Duewel, de 99 anos, de Greenwood, faleceu em 5 de março de 2016. Nasceu em 3 de junho de 1916 em St. Charles, Missouri, filho dos falecidos Louis e Ida Luelf Duewel.

      Dr. Duewel deu-se a missões mundiais por 75 anos. Após o ministério na Índia por quase 25 anos, ele foi presidente da One Mission Society (1969-1982). Ele foi membro da Conferência Wabash da Igreja Metodista Livre por 48 anos.

      Desde a infância, o dr. Duewel tinha um profundo amor pela Palavra de Deus. Seus escritos e poemas sobre o Espírito Santo, o avivamento e a conquista de alma convocam o povo de Deus de volta à oração, fonte de todo poder para o ministério e expressam sua fome e paixão. Mais de 2,5 milhões de cópias de seus livros estão em 58 línguas.

     Reconhecido como uma autoridade em missões, o dr. Duewel serviu durante 16 anos no conselho de diretores da Missio Nexus (ex-Evangelical Fellowship of Mission Agencies), como presidente 1969-1972, 19 anos na North American Board of World Evangelical Fellowship, 20 anos depois Conselho da Associação Nacional de Evangélicos, e um administrador de vida do Seminário Teológico de Asbury. Em 2007, a Missio Nexus homenageou-o apresentando seu primeiro Lifetime of Service Award. Em 2009, Evangelical Fellowship of India apresentou-lhe o "Lifetime Service Award em reconhecimento de sua liderança de servo exemplificado para o Corpo de Cristo e fiel contribuição para a Igreja e Missão na Índia".

      Ele foi proeminente na liderança da North India Christian Literature Society e Sociedade Bíblica da Índia. Ele ajudou a liderar Evangelical Fellowship [Irmandade Evangélica] da Índia e foi seu presidente até ele ser transferido da Índia.

      Dr. Duewel era graduado em Doutorado em Educação pela Universidade de Cincinnati e Doutor em Divindade pela Taylor University. Seus artigos apareceram em muitas publicações, e durante 12 anos editou a Revival Magazine [Revista de Avivamento], publicado em 12 idiomas. Ele ministrou em 45 países.

      Por anos, o dr. Duewel ensinou uma classe sênior de escola dominical. Ele compartilhou seu testemunho para com a fidelidade de Deus, com uma profunda preocupação pelos milhões de não evangelizados e uma ênfase constante na oração como chave para a colheita e o reavivamento.

      Foi precedido na morte por sua esposa de 68 anos, Elizabeth Dolly Raisch, e sobrevive pelo único filho, John Wesley (Retno); duas filhas - Christine Zahniser (Ed) e Darlene Rueger (Terry); 6 netos e 3 bisnetos; e a esposa atual de 7 anos, Hilda Mae Johnecheck.

Fonte: http://ghherrmann.com/memsol.cgi?user_id=1758493

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Teólogos do Movimento de Santidade: H. A. Baldwin (Igreja Metodista Livre)


      O pastor da Igreja Metodista Livre, superintendente de distrito, evangelista e autor Harmon Allen Baldwin (1869-1936) escreveu vários livros explicando e defendendo a doutrina da inteira santificação. Ele tinha uma compreensão muito boa dos ensinos de John Wesley, John Fletcher, e os outros escritores de santidade. No Dicionário Histórico do Movimento de Santidade (editado por William Kostlevy), lemos: "Profundamente suspeito do crescente materialismo do movimento de santidade do início do século XX, Baldwin enfatizou uma piedade mística interior que rejeitou o literalismo bíblico fundamentalista e a escatologia premilenista".

      Entre os livros que escreveu estão:


  • Lições para Procuradores de Santidade (1907). As intenções de Baldwin aqui são muito práticas. Ele pretende ajudar as pessoas a compreenderem a vontade de Deus e ajudá-las em seu crescimento espiritual. Este livro contém muitas citações de Wesley, Fletcher, Clarke, Peck e Steele. Esta é uma declaração muito boa do ensino wesleyano sobre a vida espiritual.



  • Objeções à Inteira Santificação Consideradas (C. 1911). Este volume muito breve responde a dezesseis objeções comuns aos ensinos de Santidade. Ao responder a estes, Baldwin também considera algumas visões alternativas da vida cristã. Uma tentativa muito útil e breve para esclarecer o que os professores de santidade fazem e não ensinam.



  • O Cristo Habitante (1912). Baldwin diz: "Nas páginas seguintes, o escritor deseja defender a antiga doutrina da religião experimental e ensinar a possibilidade de ter Cristo, a esperança da glória, formada dentro. Há muito pouca tentativa de refutar erros ou encontrar objeções; A questão, em sua maioria, foi vista do lado positivo ".



  • Santidade e o Elemento Humano (1919). Breves capítulos sobre vários aspectos da natureza humana e sua relação com a vida em santificação. Baldwin escreve: "Em nossa associação com o movimento de santidade encontramos dois extremos na afirmação: um nega completamente o elemento humano como intima que a vida de um homem santo será tudo menos angélica, enquanto a outra permite tanto para a humano que, em alguns aspectos, haveria pouca diferença entre a vida do santificado e a do pecador."



  • O Pescador da Galileia (C. 1923).  Um Estudo Devocional sobre o Apóstolo Pedro. Baldwin escreve: "As páginas seguintes foram inspiradas por um sincero desejo de ser útil aos filhos de Deus em todos os lugares, apontando-lhes algumas das verdades graciosas e as belezas superiores da palavra de Deus e com a esperança de que podemos assim encorajar os homens a beber mais profundamente e com a verdadeira devoção daquele fluxo vivo que eventualmente cobrirá a terra como as águas cobrem o mar ".



  • A Mente Carnal (C. 1926). Baldwin escreve: "Alguns estão inclinados a atribuir todo pensamento mau sugerido às suas mentes aos movimentos da depravação, e assim eliminar as tentações de Satanás de suas contas; com alguns os sentimentos da depravação são desculpados, e praticamente todos os pensamentos e inclinações do mal são colocados à sugestão do inimigo; enquanto outros parecem não ter ideias definidas sobre o que eles devem ser entregues a fim de que possam ser santificados.Nas páginas seguintes, fizemos uma tentativa honesta para esclarecer esses pontos difíceis".

    Fonte: http://www.craigladams.com/Baldwin/

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Ian Howard Marshall (1934-2015): Um Tributo, por Craig Blomberg





Apesar de já decorrido quase um ano do falecimento do Dr. I. H. Marshall, vale a pena conferir o conciso tributo prestado pelo Dr. Craig Blomberg a esse tão célebre teólogo metodista. [nota do tradutor]

* Tradutor: Wesiley Monteiro

O Professor I. H. Marshall, ou Howard, como era conhecido por seus amigos, partiu para estar com o Senhor no sábado, 12 de dezembro [2015], exatamente um mês antes de completar 82 anos de idade. Ele tinha acabado de ser diagnosticado com câncer de pâncreas.
Eu conheci Howard no outono de 1979 como estudante calouro de doutorado na Universidade de Aberdeen [Escócia], onde ele ensinou durante sua carreira profissional inteira. Ele já tinha se destacado por publicar sua própria tese de doutoramento em AberdeenKept by the Power of God: A Study of Perseverance and Falling Away[i], uma década antes, juntamente com uma obra significativa sobre Lucas, Luke: Historian and Theologian[ii], um comentário considerável sobre o Evangelho de Lucas[iii], o volume sobre as Epístolas de João que integrou a Série NICNT[iv], manuais proveitosos sobre o Jesus histórico[v] e sobre Cristologia no Novo Testamento[vi], e editara ainda uma importante coleção de ensaios sobre a interpretação do Novo Testamento[vii].
Ele continuaria a escrever mais de trinta livros, incluindo compactos comentários sobre Atos[viii], Filipenses[ix] e 1ª Pedro[x], um trabalho de tamanho médio sobre 1ª e 2ª Tessalonicenses[xi], e o maior deles, o volume revisado sobre as Epístolas Pastorais integrante da Série ICC[xii]. Seu livro Teologia do Novo Testamento ganhou o prêmio medalha de ouro dos editores cristãos[xiii]. Seus menores livros, Last Supper and Lord’s Supper[xiv], Biblical Inspiration[xv] e Aspects of the Atonement[xvi], revelaram-se, todos, cruciais para inúmeros leitores nessas matérias. Ele estava esperando concluir ainda o Comentário de Romanos da série Two Horizons New Testament Commentary [Comentário Dois Horizontes do Novo Testamento], quando a sua saúde ficou debilitada.
Howard orientou um extraordinário número de doutorandos ao longo dos anos, provavelmente em torno de setenta ou oitenta, e ainda se colocou à disposição de outros, caso não recebessem feedback suficiente de seus colegas orientadores. Alguns de seus alunos diplomados mais conhecidos no Ocidente incluem Grant Osborne[xvii], Bill Mounce[xviii], Darrell Bock[xix], Eckhard Schnabel[xx], Phil Towner[xxi], Joel Green[xxii], Clint Arnold[xxiii] e Mark Strauss[xxiv]. Mas muitos vieram de todos os continentes para estudarem com ele e prosseguiram igualmente com ministérios importantes, ainda que menos conhecidos, em outros lugares. Uma antologia de artigos publicada em 2010 a respeito da teologia das cartas pastorais, Entrusted with the Gospel[xxv], contém um panorama magistral de Howard acerca da recente literatura que lhes é relacionada, juntamente com capítulos escritos predominantemente por doutores formados em Aberdeen que se dedicaram a essas epístolas sob a orientação dele.
Todos os alunos de Howard testemunharam sua preocupação pessoal com eles, enquanto indivíduos, bem como com suas famílias, se casados. Ele também sabia como se entreter em contextos sociais. Minha recordação favorita é de Joyce, sua primeira esposa, e ele, ensinando a nós estrangeiros como dançar a Scottish ceilidh. Minha segunda lembrança favorita é sua leitura de 2º Reis 4.38-41, durante a qual presumia ser uma breve devoção antes de um jantar com pratos compartilhados pelos estudantes e suas famílias (potluck dinner). Felizmente, tal como depois que Eliseu operou o milagre, não havia “morte na panela” naquela noite!
Muitos se lembrarão de Howard como um proeminente defensor do Cristianismo evangélico no mundo acadêmico, ainda que nunca adotasse alguma “linha partidária” a menos que fosse completamente convencido pelas evidências. Nesse sentido, foi sucessor de F. F. Bruce, inclusive assumiu a liderança de muitas das mesmas organizações, como Bruce o fez – especialmente da Tyndale Fellowship [Fraternidade Tyndale], da Fellowship of European Evangelical Theologians [Fraternidade de Teólogos Europeus Evangélicos] e da Studiorum Novi Testamenti Societas [Sociedade de Estudos do Novo Testamento].
Outros recordarão seu compromisso de longa data com a Igreja Metodista Crown Terrace em Aberdeen e, de um modo mais amplo, com a tradição wesleyana, ou com a defesa do igualitarismo antes de se tornar mais difundido. Em um mundo em que alguns parecem equiparar o calvinismo[xxvi] ou o complementarianismo com o verdadeiro evangelicalismo, ele amparou aqueles que tinham perspectivas diferentes, apesar de manter igualmente uma elevada visão da Escritura.
Tende-se a dizer da maioria das pessoas que falecem aos 81 anos de idade que elas tiveram uma vida longa e boa. Essa idade, afinal, ainda está ligeiramente acima da média do tempo de vida do homem no mundo ocidental. Para quem conhecia e amava a Howard foi demasiadamente breve, para a nossa causa, do Reino e dele próprio. Sabemos que ele está desfrutando de sua bem merecida recompensa celestial, contudo estamos mais pobres por aqui. Howard, dance, por nós, agora, tantas ceilidhs quanto deseje, e reserve para nós lugares, para quando chegar a nossa vez de nos unirmos a ti!

                 



[i] Kept by the Power of God: A Study of Perseverance and Falling Away [Guardado pelo Poder de Deus: Um Estudo da Perseverança e da Apostasia] (Wipf & Stock Pub, 2008; originalmente Epworth Press, 1969; Paternoster Press, 1995).

[ii] Luke: Historian and Theologian [Lucas: Historiador e Teólogo] (InterVarsity Press, 3ª ed. 1998; originalmente Paternoster Press, 1970).

[iii] The Gospel of Luke - New International Greek Testament Commentary [O Evangelho de Lucas - Novo Comentário Internacional do Testamento Grego] (Eerdmans, Paternoster Press, 1978, 928p.).

[iv] The Epistles of John – The New International Commentary on the New Testament [As Epístolas de João – O Novo Comentário Internacional sobre o Novo Testamento] (Eerdmans, 1978).

[v] I believe in the historical Jesus [Eu creio no Jesus Histórico] (Regent College Publishing, 2001; originalmente, Hodder & Stoughton, 1977).

[vi] The Origins of New Testament Christology [As Origens da Cristologia do Novo Testamento] (InterVarsity Press 2ª ed. 1990; originalmente, Inter-Varsity Press, 1976).

 

[vii] New Testament Interpretation: Essays on Principles and Methods [Interpretação do Novo Testamento: Ensaios sobre Princípios e Métodos] (Wipf & Stock Pub, 2006; originalmente, Paternoster Press, 1977).

 

[viii] Atos: Introdução e Comentário – Série Cultura Bíblica (Vida Nova, 1982; originalmente, Tyndale New Testament Commentaries - Inter-Varsity Press, 1980).

[ix] The Epistle to the Philippians (Epworth Commentary Series) [A Epístola aos Filipenses] (Epworth Press, 1992).

 

[x] 1 Peter - IVP New Testament Commentary Series [1ª Epístola de Pedro – Série Comentário do Novo Testamento IVP] (InterVarsity Press, 1991).

 

[xi] 1 e 2 Tessalonicenses - Introdução e Comentário – Série Cultura Bíblica (Vida Nova, 1984; originalmente, New Century Bible Comentary - Marshall, Morgan &​ Scott, 1983).

[xii] The Pastoral Epistles – International Critical Commentary [As Epístolas Pastorais – Comentário Crítico Internacional] (T&T Clark, 1999, 2ª ed. 2004, 912 p.).

[xiii] Teologia do Novo Testamento: diversos testemunhos, um só Evangelho (Vida Nova, 2007; originalmente, InterVarsity Press, 2004). A obra foi agraciada, em 2005, na categoria obra de referência, com o Gold Medallion Book Award/The Evangelical Christian Publishers Association [Prêmio Livro Medalha de Ouro concedido pela Associação de Editores Cristãos Evangélicos].

 

[xiv] Last Supper and Lord's Supper [A Última Ceia e a Ceia do Senhor] (Paternoster Press, 1980).

[xv] Biblical Inspiration [Inspiração Bíblica] (Paternoster Press, 1982).

[xvi] Aspects of the Atonement: Cross and Resurrection in the Reconciling of God and Humanity [Aspectos da Expiação: Cruz e Ressurreição na Reconciliação de Deus com a Humanidade] (Paternoster Press, 2007).

 

[xvii] Grant R. Osborne é professor de Novo Testamento no Trinity Evangelical Divinity School (Illinois). Algumas de suas mais importantes obras são: The Resurrection Narratives: a redactional study [As Narrativas da Ressurreição: um estudo da redação] (Baker, 1984); A Espiral Hermenêutica: uma nova abordagem à interpretação bíblica (Vida Nova, 2009); 3 Perguntas Cruciais sobre a Bíblia (Vida Nova, 2014); Apocalipse: comentário exegético (Vida Nova, 2014). Foi um dos editores da Série The Life Application Bible Commentary, bem como editor da série The IVP New Testament Commentary [O Comentário do Novo Testamento da InterVarsity Press], para a qual também contribuiu com o comentário de Romanos (2004). Atualmente, produz a Série Osborne New Testament Commentaries.

 

[xviii] William D. Mounce é um notável estudioso do Grego do Novo Testamento. Duas de suas principais obras são: Fundamentos do Grego Bíblico - Gramatica e Livro de Exercícios (Vida, 2009); Léxico Analítico do Novo Testamento Grego (Vida Nova, 2013).

 

[xix] Darrell L. Bock é um reconhecido professor pesquisador de estudos do Novo Testamento do Dallas Theological Seminary (Texas). Suas obras em português incluem: Jesus Segundo as Escrituras: introdução e comentário aos Evangelhos (Vida Nova, 2006); Unidade na Diversidade (Vida); O Milênio: três pontos de vista – (editor, Vida); O Servo Sofredor: a interpretação de Isaías 53 nas teologias judaica e cristã (organizador, Cultura Cristã); Quebrando o Código Da Vinci (Novo Século, 2014).

[xx] Eckhard J. Schnabel é Distingueshed Professor de Novo Testamento no Gordon-Conwell Theological Seminary (Massachusetts). Além de obras publicadas em alemão, seus livros em inglês incluem: The Book of Acts: Zondervan Exegetical Commentary on the New Testament (Zondervan, 2011); Paul the Missionary: Realities, Strategies, and Methods [Paulo, o Missionário: realidades, estratégias e métodos] (InterVarsity Press, 2008); Early Christian Mission, Vol. 1: Jesus and the Twelve, Vol. 2: Paul and the Early Church [A Missão Cristã Primitiva: Jesus e os 12; Paulo e a Igreja Primitiva] (InterVarsity Press, 2004). É um dos contribuintes para o Dicionário de Paulo e suas Cartas (Vida Nova, Paulus, Loyola, 2008).

[xxi] Philip H. Towner é deão do Nida Institute for Biblical Scholarship (New York), comentarista bíblico e tradutor bíblico. Entre seus comentários, pode ser citado: The Letters to Timothy and Titus – The New International Commentary on the New Testament [As Cartas a Timóteo e Tito - O Novo Comentário Internacional sobre o Novo Testamento] (Eerdmans, 2006).

[xxii] Joel B. Green é Deão da Escola de Teologia e Professor de Interpretação do Novo Testamento no Fuller Theological Seminary (California). Além de publicar numerosas obras de destaque, ele foi designado como editor geral da série The New International Commentary on the New Testament [O Novo Comentário Internacional sobre o Novo Testamento], para a qual contribuiu com o comentário ao Evangelho de Lucas. Foi o editor geral da premiada obra Dictionary of Jesus and the Gospels: a Compendium of Contemporary Biblical Scholarship [Dicionário de Jesus e dos Evangelhos: um compêndio da erudição bíblica contemporânea] (IVP, 2ª ed. 2013).

[xxiii] Clinton E. Arnold é um estudioso do Novo Testamento e deão da Talbot School of Theology (California). É o editor geral da série Zondervan Exegetical Commentary on the New Testament [Comentário Exegético Zondervan sobre o Novo Testamento], para a qual contribuiu com o comentário à Epístola aos Efésios.

 

[xxiv] Mark L. Strauss é professor de Novo Testamento no Seminário Betel (Minnesota). É o editor da série Teach the Text Commentary [Comentário Expositivo] da Editora Baker Book. É coautor com Gordon Fee da obra How to Choose a Translation for all its Worth: A Guide to Understanding and Using Bible Versions. [Como escolher uma tradução por todo o seu valor – um guia para entender e usar as versões da Bíblia] (Zondervan, 2007).
[xxvi] Howard Marshall contribuiu para a obra Graça Para Todos: a dinâmica arminiana da salvação, editada por Clark Pinnock e John Wagner (Editora Reflexão, 2016), com o artigo Predestinação no Novo Testamento. Outros textos de Marshall traduzidos para o português, nos quais assume a posição soteriológica arminiana pode ser encontrado aqui  http://www.arminianismo.com/index.php/categorias/diversos/artigos/77-i-howard-marshall?highlight=WyJtYXJzaGFsbCJd e aqui http://deusamouomundo.com/eleicao/por-todos-meu-salvador-morreu-por-todos-1/



quarta-feira, 4 de maio de 2016

Sobre Eu Ainda Pensar Como Um Metodista

    


    O texto abaixo é do pastor metodista Craig L. Adams. O pr. Adams é um metodistas conservador da United Methodist Church e tem um site, com o seu nome, onde explora a teologia wesleyana. Pode ser encontrado na sessão Commonplace Holiness. Boa leitura.
 

    Na primeira parte de seu livro publicado em 2012 chamado Como Deus Tornou-se Rei: A História Esquecida dos Evangelhos, N. T. Wright comenta sobre como a Igreja nem sempre se permitiu ouvir o pleno testemunho dos Evangelhos sobre Cristo. Eu não vou tentar reproduzir o argumento aqui; sugiro que leia o livro.

    Wright começa por discutir algumas maneiras que os ensinos da Igreja involuntariamente perderam o rumo. E, como ele está discutindo como vários teólogos do passado tentaram defender a ortodoxia de alguns ensinos mal interpretados da Bíblia, ele diz, na página 37, que "o século XVIII viu grandes movimentos de avivamento, em particular através do movimento metodista legado por John e Charles Wesley e George Whitefield ", e ele continua a dizer.:

Sua teologia e sua compreensão dos evangelhos são bastante diferentes dos temas sobre os quais eu não estou qualificado para falar. Mas eu suspeito que a ênfase de Wesley na experiência cristã, tanto a experiência "espiritual" de conhecer o amor de Deus no próprio coração e vida e da experiência "prática" de viver uma vida santa por si mesmo e de trabalhar pela justiça de Deus no mundo, poderia muito bem ser citada como evidência de um movimento no qual partes da igreja chegaram a integrar vários elementos nos evangelhos, uma síntese que a maioria do cristianismo ocidental tem permitido desmoronar.¹

    O movimento wesleyano, em seu início, abraçou em conjunto um desafio para uma vida verdadeiramente transformada por meio da fé, e um compromisso para ver os valores do Reino de Deus implementados na terra. "... Venha o teu reino, tua vontade, assim na terra como no céu".

    Conheço pessoas que foram levantadas nos ramos mais rigorosos, mais legalistas do movimento wesleyano de santidade, que aprenderam a se ressentir. Eu entendo. Mas isso não tem sido a minha experiência.

    Sou grato por ter ouvido o Evangelho entre um grupo de pessoas que acreditavam que a fé em Cristo faz uma verdadeira mudança observável na vida de uma pessoa. Sou grato por uma comunidade de fé que acredita que a mudança moral e espiritual é possível. Sou grato por uma comunidade de fé por ter falado de uma fé que poderia ser experimentada. Sou grato por uma comunidade de fé que acredita que o Evangelho tanto poderia mudar as pessoas e mudar a sociedade.

    No início da minha vida cristã eu comecei a ler os escritos de Adam Clarke e John Wesley. Isto teve um efeito poderoso sobre como eu interpreto as Escrituras nos dias de hoje - e eu sou grato pelas percepções dos primeiros metodistas sobre o significado das Escrituras.

    Então, eu aprecio a chamada de atenção de Wright para a síntese wesleyana originais.

    Mesmo agora, enquanto eu me sinto profundamente alienado a partir das estruturas institucionais da Igreja Metodista Unida, eu ainda me sinto atraído pela síntese metodista original da fé e da vida, e da compaixão e justiça. Wesley conseguiu isso, aprendendo com a Bíblia, e tanto com a Reforma (com a sua ênfase na justificação pela fé) e com a tradição mística católica romana (com sua ênfase na perfeição cristã). Wesley argumentou que, se a justificação (nosso relacionamento com Deus) foi pela fé, bem, então, a santificação (nossa conformidade com o caráter de Cristo) deve ser pela fé também. Isso levou a uma ênfase no poder do Espírito Santo, ao invés de uma ênfase sobre os esforços morais e empenho. E, se Deus pode mudar as pessoas (por mais difícil que seja o trabalho) por que não esperamos que Deus mude o mundo?

    Isso não quer dizer que tudo o que John Wesley disse é correto. Esse não é o ponto. Longe disso. Wesley apontou em uma direção que eu continuo achando interessante e desafiador para seguir.

    Mas, no entanto, quanto às suas observações iniciais, Wright rapidamente acrescenta:

Mesmo dentro do próprio metodismo, no entanto, eu não percebo os finos instintos deixados pelos primeiros líderes de uma compreensão integrada e enriquecida, a longo prazo, de textos centrais da igreja, os Evangelhos.²
    Na verdade, isso não aconteceu. E o entusiasmo espiritual e intelectual inicial dos irmãos Wesley, Fletcher, Whitefield, Clarke e Watson não se manteve nas gerações que se seguiram. Parte do movimento tendia para a ênfase da experiência emocional minimizando o intelecto - e outra parte abraçou a tradição teológica iniciada por Friedrich Schleiermacher [o liberalismo teológico]. Não só não houve "má compreensão integrada e enriquecida, a longo prazo... [d]os evangelhos." - como também a síntese original se desfez.

    Mas aqui está a questão. Eu ainda acredito em um aqui-e-agora do Evangelho que transforma as pessoas para melhor e impacta o mundo para melhor.

    Então, nesse sentido, sim, eu realmente ainda penso como um metodista.

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Notas

¹ N. T. Wright, How God Became King: The Forgotten Story of the Gospels [Como Deus Tornou-rei: A História Esquecida dos Evangelhos](HarperOne 2012) página 37.

² Ibid