terça-feira, 15 de novembro de 2016

Teólogos do Movimento de Santidade: H. A. Baldwin (Igreja Metodista Livre)


      O pastor da Igreja Metodista Livre, superintendente de distrito, evangelista e autor Harmon Allen Baldwin (1869-1936) escreveu vários livros explicando e defendendo a doutrina da inteira santificação. Ele tinha uma compreensão muito boa dos ensinos de John Wesley, John Fletcher, e os outros escritores de santidade. No Dicionário Histórico do Movimento de Santidade (editado por William Kostlevy), lemos: "Profundamente suspeito do crescente materialismo do movimento de santidade do início do século XX, Baldwin enfatizou uma piedade mística interior que rejeitou o literalismo bíblico fundamentalista e a escatologia premilenista".

      Entre os livros que escreveu estão:


  • Lições para Procuradores de Santidade (1907). As intenções de Baldwin aqui são muito práticas. Ele pretende ajudar as pessoas a compreenderem a vontade de Deus e ajudá-las em seu crescimento espiritual. Este livro contém muitas citações de Wesley, Fletcher, Clarke, Peck e Steele. Esta é uma declaração muito boa do ensino wesleyano sobre a vida espiritual.



  • Objeções à Inteira Santificação Consideradas (C. 1911). Este volume muito breve responde a dezesseis objeções comuns aos ensinos de Santidade. Ao responder a estes, Baldwin também considera algumas visões alternativas da vida cristã. Uma tentativa muito útil e breve para esclarecer o que os professores de santidade fazem e não ensinam.



  • O Cristo Habitante (1912). Baldwin diz: "Nas páginas seguintes, o escritor deseja defender a antiga doutrina da religião experimental e ensinar a possibilidade de ter Cristo, a esperança da glória, formada dentro. Há muito pouca tentativa de refutar erros ou encontrar objeções; A questão, em sua maioria, foi vista do lado positivo ".



  • Santidade e o Elemento Humano (1919). Breves capítulos sobre vários aspectos da natureza humana e sua relação com a vida em santificação. Baldwin escreve: "Em nossa associação com o movimento de santidade encontramos dois extremos na afirmação: um nega completamente o elemento humano como intima que a vida de um homem santo será tudo menos angélica, enquanto a outra permite tanto para a humano que, em alguns aspectos, haveria pouca diferença entre a vida do santificado e a do pecador."



  • O Pescador da Galileia (C. 1923).  Um Estudo Devocional sobre o Apóstolo Pedro. Baldwin escreve: "As páginas seguintes foram inspiradas por um sincero desejo de ser útil aos filhos de Deus em todos os lugares, apontando-lhes algumas das verdades graciosas e as belezas superiores da palavra de Deus e com a esperança de que podemos assim encorajar os homens a beber mais profundamente e com a verdadeira devoção daquele fluxo vivo que eventualmente cobrirá a terra como as águas cobrem o mar ".



  • A Mente Carnal (C. 1926). Baldwin escreve: "Alguns estão inclinados a atribuir todo pensamento mau sugerido às suas mentes aos movimentos da depravação, e assim eliminar as tentações de Satanás de suas contas; com alguns os sentimentos da depravação são desculpados, e praticamente todos os pensamentos e inclinações do mal são colocados à sugestão do inimigo; enquanto outros parecem não ter ideias definidas sobre o que eles devem ser entregues a fim de que possam ser santificados.Nas páginas seguintes, fizemos uma tentativa honesta para esclarecer esses pontos difíceis".

    Fonte: http://www.craigladams.com/Baldwin/

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Ian Howard Marshall (1934-2015): Um Tributo, por Craig Blomberg





Apesar de já decorrido quase um ano do falecimento do Dr. I. H. Marshall, vale a pena conferir o conciso tributo prestado pelo Dr. Craig Blomberg a esse tão célebre teólogo metodista. [nota do tradutor]

* Tradutor: Wesiley Monteiro

O Professor I. H. Marshall, ou Howard, como era conhecido por seus amigos, partiu para estar com o Senhor no sábado, 12 de dezembro [2015], exatamente um mês antes de completar 82 anos de idade. Ele tinha acabado de ser diagnosticado com câncer de pâncreas.
Eu conheci Howard no outono de 1979 como estudante calouro de doutorado na Universidade de Aberdeen [Escócia], onde ele ensinou durante sua carreira profissional inteira. Ele já tinha se destacado por publicar sua própria tese de doutoramento em AberdeenKept by the Power of God: A Study of Perseverance and Falling Away[i], uma década antes, juntamente com uma obra significativa sobre Lucas, Luke: Historian and Theologian[ii], um comentário considerável sobre o Evangelho de Lucas[iii], o volume sobre as Epístolas de João que integrou a Série NICNT[iv], manuais proveitosos sobre o Jesus histórico[v] e sobre Cristologia no Novo Testamento[vi], e editara ainda uma importante coleção de ensaios sobre a interpretação do Novo Testamento[vii].
Ele continuaria a escrever mais de trinta livros, incluindo compactos comentários sobre Atos[viii], Filipenses[ix] e 1ª Pedro[x], um trabalho de tamanho médio sobre 1ª e 2ª Tessalonicenses[xi], e o maior deles, o volume revisado sobre as Epístolas Pastorais integrante da Série ICC[xii]. Seu livro Teologia do Novo Testamento ganhou o prêmio medalha de ouro dos editores cristãos[xiii]. Seus menores livros, Last Supper and Lord’s Supper[xiv], Biblical Inspiration[xv] e Aspects of the Atonement[xvi], revelaram-se, todos, cruciais para inúmeros leitores nessas matérias. Ele estava esperando concluir ainda o Comentário de Romanos da série Two Horizons New Testament Commentary [Comentário Dois Horizontes do Novo Testamento], quando a sua saúde ficou debilitada.
Howard orientou um extraordinário número de doutorandos ao longo dos anos, provavelmente em torno de setenta ou oitenta, e ainda se colocou à disposição de outros, caso não recebessem feedback suficiente de seus colegas orientadores. Alguns de seus alunos diplomados mais conhecidos no Ocidente incluem Grant Osborne[xvii], Bill Mounce[xviii], Darrell Bock[xix], Eckhard Schnabel[xx], Phil Towner[xxi], Joel Green[xxii], Clint Arnold[xxiii] e Mark Strauss[xxiv]. Mas muitos vieram de todos os continentes para estudarem com ele e prosseguiram igualmente com ministérios importantes, ainda que menos conhecidos, em outros lugares. Uma antologia de artigos publicada em 2010 a respeito da teologia das cartas pastorais, Entrusted with the Gospel[xxv], contém um panorama magistral de Howard acerca da recente literatura que lhes é relacionada, juntamente com capítulos escritos predominantemente por doutores formados em Aberdeen que se dedicaram a essas epístolas sob a orientação dele.
Todos os alunos de Howard testemunharam sua preocupação pessoal com eles, enquanto indivíduos, bem como com suas famílias, se casados. Ele também sabia como se entreter em contextos sociais. Minha recordação favorita é de Joyce, sua primeira esposa, e ele, ensinando a nós estrangeiros como dançar a Scottish ceilidh. Minha segunda lembrança favorita é sua leitura de 2º Reis 4.38-41, durante a qual presumia ser uma breve devoção antes de um jantar com pratos compartilhados pelos estudantes e suas famílias (potluck dinner). Felizmente, tal como depois que Eliseu operou o milagre, não havia “morte na panela” naquela noite!
Muitos se lembrarão de Howard como um proeminente defensor do Cristianismo evangélico no mundo acadêmico, ainda que nunca adotasse alguma “linha partidária” a menos que fosse completamente convencido pelas evidências. Nesse sentido, foi sucessor de F. F. Bruce, inclusive assumiu a liderança de muitas das mesmas organizações, como Bruce o fez – especialmente da Tyndale Fellowship [Fraternidade Tyndale], da Fellowship of European Evangelical Theologians [Fraternidade de Teólogos Europeus Evangélicos] e da Studiorum Novi Testamenti Societas [Sociedade de Estudos do Novo Testamento].
Outros recordarão seu compromisso de longa data com a Igreja Metodista Crown Terrace em Aberdeen e, de um modo mais amplo, com a tradição wesleyana, ou com a defesa do igualitarismo antes de se tornar mais difundido. Em um mundo em que alguns parecem equiparar o calvinismo[xxvi] ou o complementarianismo com o verdadeiro evangelicalismo, ele amparou aqueles que tinham perspectivas diferentes, apesar de manter igualmente uma elevada visão da Escritura.
Tende-se a dizer da maioria das pessoas que falecem aos 81 anos de idade que elas tiveram uma vida longa e boa. Essa idade, afinal, ainda está ligeiramente acima da média do tempo de vida do homem no mundo ocidental. Para quem conhecia e amava a Howard foi demasiadamente breve, para a nossa causa, do Reino e dele próprio. Sabemos que ele está desfrutando de sua bem merecida recompensa celestial, contudo estamos mais pobres por aqui. Howard, dance, por nós, agora, tantas ceilidhs quanto deseje, e reserve para nós lugares, para quando chegar a nossa vez de nos unirmos a ti!

                 



[i] Kept by the Power of God: A Study of Perseverance and Falling Away [Guardado pelo Poder de Deus: Um Estudo da Perseverança e da Apostasia] (Wipf & Stock Pub, 2008; originalmente Epworth Press, 1969; Paternoster Press, 1995).

[ii] Luke: Historian and Theologian [Lucas: Historiador e Teólogo] (InterVarsity Press, 3ª ed. 1998; originalmente Paternoster Press, 1970).

[iii] The Gospel of Luke - New International Greek Testament Commentary [O Evangelho de Lucas - Novo Comentário Internacional do Testamento Grego] (Eerdmans, Paternoster Press, 1978, 928p.).

[iv] The Epistles of John – The New International Commentary on the New Testament [As Epístolas de João – O Novo Comentário Internacional sobre o Novo Testamento] (Eerdmans, 1978).

[v] I believe in the historical Jesus [Eu creio no Jesus Histórico] (Regent College Publishing, 2001; originalmente, Hodder & Stoughton, 1977).

[vi] The Origins of New Testament Christology [As Origens da Cristologia do Novo Testamento] (InterVarsity Press 2ª ed. 1990; originalmente, Inter-Varsity Press, 1976).

 

[vii] New Testament Interpretation: Essays on Principles and Methods [Interpretação do Novo Testamento: Ensaios sobre Princípios e Métodos] (Wipf & Stock Pub, 2006; originalmente, Paternoster Press, 1977).

 

[viii] Atos: Introdução e Comentário – Série Cultura Bíblica (Vida Nova, 1982; originalmente, Tyndale New Testament Commentaries - Inter-Varsity Press, 1980).

[ix] The Epistle to the Philippians (Epworth Commentary Series) [A Epístola aos Filipenses] (Epworth Press, 1992).

 

[x] 1 Peter - IVP New Testament Commentary Series [1ª Epístola de Pedro – Série Comentário do Novo Testamento IVP] (InterVarsity Press, 1991).

 

[xi] 1 e 2 Tessalonicenses - Introdução e Comentário – Série Cultura Bíblica (Vida Nova, 1984; originalmente, New Century Bible Comentary - Marshall, Morgan &​ Scott, 1983).

[xii] The Pastoral Epistles – International Critical Commentary [As Epístolas Pastorais – Comentário Crítico Internacional] (T&T Clark, 1999, 2ª ed. 2004, 912 p.).

[xiii] Teologia do Novo Testamento: diversos testemunhos, um só Evangelho (Vida Nova, 2007; originalmente, InterVarsity Press, 2004). A obra foi agraciada, em 2005, na categoria obra de referência, com o Gold Medallion Book Award/The Evangelical Christian Publishers Association [Prêmio Livro Medalha de Ouro concedido pela Associação de Editores Cristãos Evangélicos].

 

[xiv] Last Supper and Lord's Supper [A Última Ceia e a Ceia do Senhor] (Paternoster Press, 1980).

[xv] Biblical Inspiration [Inspiração Bíblica] (Paternoster Press, 1982).

[xvi] Aspects of the Atonement: Cross and Resurrection in the Reconciling of God and Humanity [Aspectos da Expiação: Cruz e Ressurreição na Reconciliação de Deus com a Humanidade] (Paternoster Press, 2007).

 

[xvii] Grant R. Osborne é professor de Novo Testamento no Trinity Evangelical Divinity School (Illinois). Algumas de suas mais importantes obras são: The Resurrection Narratives: a redactional study [As Narrativas da Ressurreição: um estudo da redação] (Baker, 1984); A Espiral Hermenêutica: uma nova abordagem à interpretação bíblica (Vida Nova, 2009); 3 Perguntas Cruciais sobre a Bíblia (Vida Nova, 2014); Apocalipse: comentário exegético (Vida Nova, 2014). Foi um dos editores da Série The Life Application Bible Commentary, bem como editor da série The IVP New Testament Commentary [O Comentário do Novo Testamento da InterVarsity Press], para a qual também contribuiu com o comentário de Romanos (2004). Atualmente, produz a Série Osborne New Testament Commentaries.

 

[xviii] William D. Mounce é um notável estudioso do Grego do Novo Testamento. Duas de suas principais obras são: Fundamentos do Grego Bíblico - Gramatica e Livro de Exercícios (Vida, 2009); Léxico Analítico do Novo Testamento Grego (Vida Nova, 2013).

 

[xix] Darrell L. Bock é um reconhecido professor pesquisador de estudos do Novo Testamento do Dallas Theological Seminary (Texas). Suas obras em português incluem: Jesus Segundo as Escrituras: introdução e comentário aos Evangelhos (Vida Nova, 2006); Unidade na Diversidade (Vida); O Milênio: três pontos de vista – (editor, Vida); O Servo Sofredor: a interpretação de Isaías 53 nas teologias judaica e cristã (organizador, Cultura Cristã); Quebrando o Código Da Vinci (Novo Século, 2014).

[xx] Eckhard J. Schnabel é Distingueshed Professor de Novo Testamento no Gordon-Conwell Theological Seminary (Massachusetts). Além de obras publicadas em alemão, seus livros em inglês incluem: The Book of Acts: Zondervan Exegetical Commentary on the New Testament (Zondervan, 2011); Paul the Missionary: Realities, Strategies, and Methods [Paulo, o Missionário: realidades, estratégias e métodos] (InterVarsity Press, 2008); Early Christian Mission, Vol. 1: Jesus and the Twelve, Vol. 2: Paul and the Early Church [A Missão Cristã Primitiva: Jesus e os 12; Paulo e a Igreja Primitiva] (InterVarsity Press, 2004). É um dos contribuintes para o Dicionário de Paulo e suas Cartas (Vida Nova, Paulus, Loyola, 2008).

[xxi] Philip H. Towner é deão do Nida Institute for Biblical Scholarship (New York), comentarista bíblico e tradutor bíblico. Entre seus comentários, pode ser citado: The Letters to Timothy and Titus – The New International Commentary on the New Testament [As Cartas a Timóteo e Tito - O Novo Comentário Internacional sobre o Novo Testamento] (Eerdmans, 2006).

[xxii] Joel B. Green é Deão da Escola de Teologia e Professor de Interpretação do Novo Testamento no Fuller Theological Seminary (California). Além de publicar numerosas obras de destaque, ele foi designado como editor geral da série The New International Commentary on the New Testament [O Novo Comentário Internacional sobre o Novo Testamento], para a qual contribuiu com o comentário ao Evangelho de Lucas. Foi o editor geral da premiada obra Dictionary of Jesus and the Gospels: a Compendium of Contemporary Biblical Scholarship [Dicionário de Jesus e dos Evangelhos: um compêndio da erudição bíblica contemporânea] (IVP, 2ª ed. 2013).

[xxiii] Clinton E. Arnold é um estudioso do Novo Testamento e deão da Talbot School of Theology (California). É o editor geral da série Zondervan Exegetical Commentary on the New Testament [Comentário Exegético Zondervan sobre o Novo Testamento], para a qual contribuiu com o comentário à Epístola aos Efésios.

 

[xxiv] Mark L. Strauss é professor de Novo Testamento no Seminário Betel (Minnesota). É o editor da série Teach the Text Commentary [Comentário Expositivo] da Editora Baker Book. É coautor com Gordon Fee da obra How to Choose a Translation for all its Worth: A Guide to Understanding and Using Bible Versions. [Como escolher uma tradução por todo o seu valor – um guia para entender e usar as versões da Bíblia] (Zondervan, 2007).
[xxvi] Howard Marshall contribuiu para a obra Graça Para Todos: a dinâmica arminiana da salvação, editada por Clark Pinnock e John Wagner (Editora Reflexão, 2016), com o artigo Predestinação no Novo Testamento. Outros textos de Marshall traduzidos para o português, nos quais assume a posição soteriológica arminiana pode ser encontrado aqui  http://www.arminianismo.com/index.php/categorias/diversos/artigos/77-i-howard-marshall?highlight=WyJtYXJzaGFsbCJd e aqui http://deusamouomundo.com/eleicao/por-todos-meu-salvador-morreu-por-todos-1/



quarta-feira, 4 de maio de 2016

Sobre Eu Ainda Pensar Como Um Metodista

    


    O texto abaixo é do pastor metodista Craig L. Adams. O pr. Adams é um metodistas conservador da United Methodist Church e tem um site, com o seu nome, onde explora a teologia wesleyana. Pode ser encontrado na sessão Commonplace Holiness. Boa leitura.
 

    Na primeira parte de seu livro publicado em 2012 chamado Como Deus Tornou-se Rei: A História Esquecida dos Evangelhos, N. T. Wright comenta sobre como a Igreja nem sempre se permitiu ouvir o pleno testemunho dos Evangelhos sobre Cristo. Eu não vou tentar reproduzir o argumento aqui; sugiro que leia o livro.

    Wright começa por discutir algumas maneiras que os ensinos da Igreja involuntariamente perderam o rumo. E, como ele está discutindo como vários teólogos do passado tentaram defender a ortodoxia de alguns ensinos mal interpretados da Bíblia, ele diz, na página 37, que "o século XVIII viu grandes movimentos de avivamento, em particular através do movimento metodista legado por John e Charles Wesley e George Whitefield ", e ele continua a dizer.:

Sua teologia e sua compreensão dos evangelhos são bastante diferentes dos temas sobre os quais eu não estou qualificado para falar. Mas eu suspeito que a ênfase de Wesley na experiência cristã, tanto a experiência "espiritual" de conhecer o amor de Deus no próprio coração e vida e da experiência "prática" de viver uma vida santa por si mesmo e de trabalhar pela justiça de Deus no mundo, poderia muito bem ser citada como evidência de um movimento no qual partes da igreja chegaram a integrar vários elementos nos evangelhos, uma síntese que a maioria do cristianismo ocidental tem permitido desmoronar.¹

    O movimento wesleyano, em seu início, abraçou em conjunto um desafio para uma vida verdadeiramente transformada por meio da fé, e um compromisso para ver os valores do Reino de Deus implementados na terra. "... Venha o teu reino, tua vontade, assim na terra como no céu".

    Conheço pessoas que foram levantadas nos ramos mais rigorosos, mais legalistas do movimento wesleyano de santidade, que aprenderam a se ressentir. Eu entendo. Mas isso não tem sido a minha experiência.

    Sou grato por ter ouvido o Evangelho entre um grupo de pessoas que acreditavam que a fé em Cristo faz uma verdadeira mudança observável na vida de uma pessoa. Sou grato por uma comunidade de fé que acredita que a mudança moral e espiritual é possível. Sou grato por uma comunidade de fé por ter falado de uma fé que poderia ser experimentada. Sou grato por uma comunidade de fé que acredita que o Evangelho tanto poderia mudar as pessoas e mudar a sociedade.

    No início da minha vida cristã eu comecei a ler os escritos de Adam Clarke e John Wesley. Isto teve um efeito poderoso sobre como eu interpreto as Escrituras nos dias de hoje - e eu sou grato pelas percepções dos primeiros metodistas sobre o significado das Escrituras.

    Então, eu aprecio a chamada de atenção de Wright para a síntese wesleyana originais.

    Mesmo agora, enquanto eu me sinto profundamente alienado a partir das estruturas institucionais da Igreja Metodista Unida, eu ainda me sinto atraído pela síntese metodista original da fé e da vida, e da compaixão e justiça. Wesley conseguiu isso, aprendendo com a Bíblia, e tanto com a Reforma (com a sua ênfase na justificação pela fé) e com a tradição mística católica romana (com sua ênfase na perfeição cristã). Wesley argumentou que, se a justificação (nosso relacionamento com Deus) foi pela fé, bem, então, a santificação (nossa conformidade com o caráter de Cristo) deve ser pela fé também. Isso levou a uma ênfase no poder do Espírito Santo, ao invés de uma ênfase sobre os esforços morais e empenho. E, se Deus pode mudar as pessoas (por mais difícil que seja o trabalho) por que não esperamos que Deus mude o mundo?

    Isso não quer dizer que tudo o que John Wesley disse é correto. Esse não é o ponto. Longe disso. Wesley apontou em uma direção que eu continuo achando interessante e desafiador para seguir.

    Mas, no entanto, quanto às suas observações iniciais, Wright rapidamente acrescenta:

Mesmo dentro do próprio metodismo, no entanto, eu não percebo os finos instintos deixados pelos primeiros líderes de uma compreensão integrada e enriquecida, a longo prazo, de textos centrais da igreja, os Evangelhos.²
    Na verdade, isso não aconteceu. E o entusiasmo espiritual e intelectual inicial dos irmãos Wesley, Fletcher, Whitefield, Clarke e Watson não se manteve nas gerações que se seguiram. Parte do movimento tendia para a ênfase da experiência emocional minimizando o intelecto - e outra parte abraçou a tradição teológica iniciada por Friedrich Schleiermacher [o liberalismo teológico]. Não só não houve "má compreensão integrada e enriquecida, a longo prazo... [d]os evangelhos." - como também a síntese original se desfez.

    Mas aqui está a questão. Eu ainda acredito em um aqui-e-agora do Evangelho que transforma as pessoas para melhor e impacta o mundo para melhor.

    Então, nesse sentido, sim, eu realmente ainda penso como um metodista.

_________________________________________________________________________________

Notas

¹ N. T. Wright, How God Became King: The Forgotten Story of the Gospels [Como Deus Tornou-rei: A História Esquecida dos Evangelhos](HarperOne 2012) página 37.

² Ibid


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Pentecostais e a Doutrina Wesleyana da Perfeição Cristã



                          


   A doutrina da perfeição cristã não é uma característica somente das igrejas de tradição wesleyana, como a Metodista, Metodista Livre, Igreja do Nazareno, Exército de Salvação, Igreja Holiness e outras. Esta doutrina teve guarida entre os pentecostais também. É um fato que, infelizmente, muitos irmãos pentecostais desconhecem.

     Os pais do pentecostalismo, Charles Fox Parham e William Seymour, eram de tradição wesleyana e criam na perfeição cristã (veja outros posts deste blog sobre esta doutrina), pois eram membros das igrejas do Movimento Wesleyano de Santidade que teve início em meados do século XIX. Infelizmente, embora os pais do pentecostalismo cressem nesta doutrina, a maior denominação pentecostal não só do Brasil, mas do mundo, Assembleia de Deus, não preservou a crença na perfeição cristã. Preferiram seguir a doutrina da obra consumada da graça (doutrina oposta a da perfeição cristã) de William Durham.

     A maior igreja pentecostal dos Estados Unidos, entretanto, é a Church of God in Christ (COGIC), ou seja, a Igreja de Deus em Cristo, que crê na perfeição cristã. Nos Estados Unidos a Assembly of God, que é a Assembleia de Deus, possui em torno de 3 milhões de membros, enquanto que a Igreja de Deus em Cristo possui em torno de 5 milhões de membros.

     Como os pentecostais wesleyanos (os que creem na doutrina da perfeição cristã) creem nesta doutrina?

     Os wesleyanos creem que depois da conversão, sendo logo, pouco tempo depois ou um tempo depois, aqueles que buscam a santidade e o viver santo seriam inteiramente santificados, sendo isto o alcance da perfeição cristã (enfatizo que não quer dizer que a pessoa torna-se impecável), a conhecida segunda obra da graça, obra esta depois da primeira obra da graça, que é a conversão. Já os pentecostais wesleyanos creem na terceira obra da graça, que é o batismo com/no Espírito Santo, que acontece depois da primeira (conversão) e segunda (inteira santificação) obras da graça.

     Graça e Paz


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Livros Sobre a Teologia de John Wesley

      Abaixo, indicamos livros sobre a teologia de John Wesley especificamente. Em inglês há vários livros sobre a teologia de Wesley. Infelizmente, há pouquíssimos disponíveis em português. Com a graça de Deus, esperamos que mude. Três livros são destacados abaixo. Posteriormente, a editora Sal Cultural publicará o livro Teologia de John Wesley de Mateo Lelievre e a Editeo publicará o livro Graça Responsiva - Teologia Pŕatica de John Wesley de Randy Maddox.

Teologia de John Wesley de Kenneth Collins pela CPAD

                                                   

      Este livro aborda muito detalhadamente os vários pontos da teologia de John Wesley. Sistematizações como cristologia, soteriologia, escatologia, eclesiologia e outros são abordados neste livro. Collins fez um trabalho minucioso sobre a teologia de Wesley.


A Nova Criação - A Teologia de John Wesley Hoje de Theodore Runyon pela Editeo

                                                  

      Tunyon aborda a teologia de Wesley de uma forma menos sistematizada como Collins, entretanto se atém mais profundamente com a relevância da contemporaneidade dos pensamentos de Wesley para os dias de hoje, O entendimento das divisões da imagem de Deus no ser humano e da graça divina são enfatizados neste livro.


Coletânea da Teologia de John Wesley de Robert Burtner e Robert Chiles pela Imprensa Metodista

                                                   

      Burtner e Chiles não se aprofundam comentando a teologia de Wesley. Nesta obra, eles praticamente transcrevem enxertos de escritos de Wesley sobre variados temas sistematizantes como Deus, Jesus, Espírito Santo, Salvação e outros. Entretanto, o livro vale a pena por apresentar Wesley falando por si mesmo. Este livro não é mais publicado, haja vista a editora, Imprensa Metodista, há anos que fechou as portas. Contudo, a Igreja Metodista em Vila Isabel disponibiliza o livro digitalizado gratuitamente.

Graça e Paz

terça-feira, 18 de agosto de 2015

John Wesley e a Doutrina da Perfeição Cristã

Antes de tudo, gostaria de salientar que é necessário, para uma melhor compreensão da perfeição cristã, no entendimento de John Wesley ler os sermões 40 (Perfeição Cristã), 41 (Os Pensamentos Errantes) e o livro Explicação Clara da Perfeição Cristã. Todos os e-books gratuitos estão no site da Metodista de Vila Isabel.

Sobre a doutrina, Wesley menciona o que não significa perfeição cristã. Não significa que se possa ficar isento de ignorância, ou seja, a pessoa perfeita não conhecerá os desígnios de Deus por completo. Isso não se dará. Não significa que conhecerá o Senhor perfeitamente e que saberá de detalhes quanto à Sua vinda e afins. Perfeição, conforme esta doutrina, não implica em impecabilidade, mas sim, como será mostrado, que o pecado voluntário não faz parte do nascido de novo que alcançou a perfeição.

O erro se faz presente na pessoa perfeita (por mais que pareça contraditório). Wesley cita que "conhecemos em parte" (1 Co 13:9), logo, podemos errar na outra parte que não conhecemos. Wesley assevera: "Mas, em coisas não essenciais à salvação, erram, e erram frequentemente" (Sermão 40, parte 1, ponto 4). Os que alcançaram a perfeição não possuem a interpretação correta de todas as passagens das Escrituras e não estão livres de fraquezas não morais como morosidade de entendimento, obtsusidade ou confusão de compreensão, incoerência de pensamento e afins (Sermão 40, parte 1, ponto 7). Muito menos há uma libertação das tentações.

Sobre o que é perfeição cristã, Wesley aborda que os justificados têm o seu velho homem crucificado, seu corpo do pecado destruídos (Rm 6:6) e estão mortos para o pecado (Rm 6:11). Wesley enfatiza que temos que levar em conta seriamente esses versos. Efésios 4:13, Lucas 6:40, Fp 3:15 abordam que somos perfeitos. Jesus, em Mateus 5:48, ordena que sejamos perfeitos como o Pai é perfeito.

Sobre Mateus 11:11: " Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele", Wesley entende que até João Batista, ou seja, até o surgimento da Graça, o menor cristão é maior que João Batista. Já, entre os judeus, João Batista foi o maior. Qualquer cristão que viva no período da Graça é maior que João Batista, o maior do período pré-Graça. 

Sobre Salomão ter escrito que não há homem que não peque (1 Re 8:46; 2 Cr 6:36), Wesley entende, como acima, que, no período da Lei, não havia homem que não pecasse, pois a Graça de Cristo não havia surgido na Terra. 

Sobre Paulo (no caso da discussão com Barnabé) e Pedro (no caso de sua dissimulação em Gálatas), não há indício escriturístico de que eles pecaram necessariamente. Eles pecaram, sem dúvida, mas não seguiram pecando, pois entrariam em contradição com João em 1 Jo 5:18. 

Wesley enfatiza que Cristo nos purifica de todo pecado, conforme 1 João 1:7. Logo, não há um pecado não purificado. Wesley enfatiza que "um cristão é perfeito ao ponto de não cometer pecado" (Sermão 40, parte 2, ponto 20).

Por fim, Wesley assevera que Jesus não teve e não tem pensamentos maus. Então, como Jesus mesmo disse que "todo que é perfeito é como seu Senhor" (Lc 6:40), 1. Somos perfeitos. 2. Somos como o Senhor, logo. 3. Não devemos ter pensamentos maus. 

Wesley, e todos os crentes na perfeição cristã, deleitam-se nesta doutrina porque nos estimula à santidade. Não há espaços para legalismos, pois Wesley e os wesleyanos seguem o princípio moral da santidade, e não o aspecto regimental de culturas.

Em Cristo,

Marlon Marques

segunda-feira, 20 de julho de 2015

A Doutrina da Inteira Santificação na Igreja Antiga





Artigo escrito por Matt O'Reilly

Eu já ouvi muitas vezes que a ênfase que John Wesley fez sobre a inteira santificação (ou perfeição cristã), não foi somente o resultado de sua leitura das Escrituras (foi sim!), mas de sua leitura dos pais da Igreja primitiva também. Eu não tive oportunidade de pesquisar o que foi discorrido em detalhes, mas eu me lembre de que ontem, quando eu estava lendo a Carta de Policarpo aos Filipenses e descobri uma frase que soou como se o fragmento de um sermão de John Wesley. Aqui está o que o bispo de Esmirna do segundo século escreveu: "Pois se alguém estiver nesse grupo, ele cumpriu toda a justiça, pois quem tem amor está longe de todo o pecado" (III: 3, ênfase adicionada). O grupo de de que ele fala são aqueles que têm fé e amor a Deus, Cristo, e ao próximo, e ao próximo, e esse grupo, diz Policarpo, está longe de todo o pecado, não a maioria, todo.

Há um sem número de passagens por Wesley em que foi possível encontrar temas similares; esta citação de Uma Explanação sobre a Perfeição Cristã resume muito bem: "A perfeição cristã é o amor a Deus e ao próximo, o que implica a libertação de todo pecado" (18). Há pelo menos três observações a serem feitas por estamos a comparar Policarpo e Wesley.

Primeiro, e mais óbvio, talvez, é que tanto Policarpo e Wesley estão felizes para descrever a libertação do crente do pecado em termos de "todo o pecado". Ambos, é claro, obtêm isso de 1 João 1:7: "O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado".

Em segundo lugar, ambos, Policarpo e Wesley, entendem o amor e o pecado como mutuamente excludentes. Um coração cheio de amor a Deus e ao próximo não pode, portanto, ser um um coração em pecado contra Deus ou ao próximo. Se estivermos amando e ativamente seguindo a Cristo, então, ao mesmo tempo, não pecamos contra Ele. Para ambos a distância dos homens do pecado deve começar com o amor a Deus. É por isso que a verdadeira santidade não é simplesmente uma questão de modificação do comportamento. Poderíamos presumivelmente atravessar os movimentos e fazer os tipos certos de coisas e ainda não termos um coração de amor a Deus e aos outros. O amor é ambos o fundamento e a fonte de santidade autêntica, o início e a causa. Santidade não é mera obediência; A vida de santidade deve surgir diante do amor.

Em terceiro lugar, para que não pensemos que o amor santo significa alguma coisa que fazemos, Policarpo e Wesley concordariam que o amor santo produz uma vida que honra a Deus. Nós já vimos que o amor para Policarpo que está longe de todo o pecado é também o amor que cumpre toda a justiça. Da mesma forma, Wesley insiste que, "o amor é o cumprimento da lei, a finalidade do mandamento." Não é somente o "primeiro e grande mandamento", mas todos os mandamentos em um (Explanação Clara, 6). Para nenhum desses homens [Policarpo e Wesley] o amor significa ilegalidade. Ao contrário, amor significa santidade. Aqueles que amam a Deus amará a lei de Deus e guardará os Seus mandamentos. Assim, a santidade não é principalmente sobre o que fazemos; é sobre quem nós amamos. Mas, se amamos a Deus, faremos o que lhe agrada. A santidade não consiste em obediência, mas a obediência sempre acompanha santidade.

Concluirei dizendo que enquanto a inteira santificação é muitas vezes tratada como característica de Wesley, isso deve ser que os explicado que não é o caso. Os temas centrais da doutrina da santificação de Wesley estavam presentes no início da igreja e Wesley viu sua ênfase na doutrina da perfeição cristã como uma recuperação da verdade bíblica ensinada pelos apóstolos e pelos pais da igreja. Esta breve comparação de seus pontos de vista com os de Policarpo expressos em sua carta aos filipenses é parte, embora certamente não tudo, dos elementos de prova que Wesley estava certo ao ver seu trabalho como estando em continuidade com a Igreja antiga.
_____
O recente livro de Thomas A. Noble, Trindade Santa: Povo Santo - A teologia da perfeição cristã*  dedica um capítulo ao tema da perfeição cristã como ensinada pelos Padres gregos e latinos (Capítulo 3).

* Nota do tradutor: O livro de Thomas A. Noble Trindade Santa: Povo Santo - A teologia da perfeição cristã será publicado no Brasil ainda neste ano.

Fonte: http://www.mattoreilly.net/2013/07/entire-sanctification-in-early-church.html